Morte de recém-nascido faz casal reviver drama vivido em março no Santa Luísa

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A notícia da perda de um recém-nascido por uma adolescente de 15 anos, ocorrida na segunda-feira (18), no hospital e maternidade Santa Luísa de Marillac, em Aracati, fez o casal Luiz Fernando Lino da Costa e Camila da Silva Cruz, do município de Icapuí, reviverem todo o sofrimento que também passaram momentos antes de Camila dar à luz.

De acordo com Luiz Fernando, o mesmo destino do bebê que morreu nesta semana na maternidade poderia ter sido o da sua filha.

O drama do caso começou no sábado 14 de março, segundo Luiz Fernando, quando Camila, de 24 anos, deu entrada no hospital Santa Luísa às 12h30. Na 40ª semana de gestação, ela chegou sem dor à maternidade e, após examinada, foi orientada a retornar para casa. Por conta da viagem, o casal preferiu ficar na maternidade.

Já no domingo, após receber medicamento para dilatação, Camila teve forte febre. “Começava ali todo o pesadelo. Pedi para chamar o médico, mas a enfermeira se negou a chamá-lo”, conta.

Luís Fernando diz que chegou a questionar a enfermeira sobre o médico, mas ela não lhe respondia. “Primeiro disseram que não havia médico de plantão. Em segunda, fui informado que ele estava doente”, conta.

A enfermeira teria dito a Luís Fernando que era preciso entender a situação. Contudo, a informação de um médico doente em um plantão hospitalar não soava bem para Luís Fernando, que questionou: “uma coisa é eu entender que ele está doente; outra, é entender que ele está doente no hospital e não ter outro médico”, disse.

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Bastante chateado, Luís Fernando chegou a ligar para a Polícia Militar, mas por conta da pandemia recebeu ajuda.

Muita dor – Camila teria passado a madrugado da segunda-feira (16/3) com fortes dores, e o casal foi informado de que a cesariana não poderia ser feita, naquele momento, pois a equipe médica estava incompleta.

Às 9h da manhã, ao ser novamente examinada, Camila foi informada que seria feita uma cesariana, o que só ocorreu à tarde, pois a médica teria ainda que realizar um parto antes.

Luís Fernando solicitou assistir ao parto e chegou a receber um uniforme, mas como estava incompleto, sem a parte de cima, não pode permanecer na sala. “Minha filha foi para uma incubadora. Fui informado que estava muito mal, pois havia defecado na barriga e às 21h30 veio a informação de o bebê seria encaminhado com urgente para Fortaleza”, relata.

Luís Fernando lamenta o drama vivido pela família da jovem que perdeu o filho e diz que o que aconteceu com a adolescente também poderia ter acontecido com sua filha. Mas acredita que o hospital Santa Luísa de Marillac, como está, sem ao menos um leito de UTI neonatal, não têm condições de continuar aberto. Segundo Luís Fernando, logo após passar a pandemia do Covid-19, o casal pretende entrar com uma ação na justiça contra o hospital.

Procurado pela reportagem, a direção do hospital disse que iria apurar os fatos.