‘É um risco que eu corro’, reconhece Bolsonaro sobre sua pressão para comércio reabrir em meio à epidemia de Coronavírus

Presidente disse que, se o cenário se agravar, irá para o seu 'colo'

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O presidente Jair Bolsonaro reconheceu em discurso na manhã desta sexta-feira, durante a posse do novo ministro da Saúde, Nelson Teich, que corre um risco ao defender a reabertura do comércio em cidades brasileiras em meio à pandemia do novo coronavírus. Ele também agradeceu “do fundo do coração” o agora ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, que compareceu à cerimônia, e disse que os dois serão julgados pela história. E criticou medidas adotadas por governadores contra isolamento social, mas disse que não vai pregar desobediência civil e respeita a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que na quarta-feira garantiu autonomia a Estados e municípios para definir distanciamento social.

– Eu agradeço, Mandetta, do fundo do coração. Aqui não tem vitoriosos e nem derrotados. A história, lá na frente, vai nos julgar. E eu peço a Deus que nós dois estejamos certos lá na frente. Essa briga de começar a abrir para o comércio é um risco que eu corro, porque se agravar vem pro meu colo. Agora o que eu acredito que muita gente já está tendo consciência é que tem que abrir – declarou Bolsonaro, em discurso no Palácio do Planalto.
Ele também criticou medidas adotadas por chefes de Executivo estaduais, sem citar nenhum deles nominalmente. E disse que, no que depender dele, nenhum cidadão seria preso no Brasil por causa da desobediência ao isolamento. Isso porque a detenção seria apenas para quem “porventura estiver disseminando, de forma criminosa, algo que afetasse a saúde de todos”.

– Agora aquelas cenas de prender mulheres na praia, em praça pública, ou um cidadão também bastante forte sendo jogado no chão, colocado algemas, eu não consigo entender isso daí. Não concordo com isso – comentou.

– Pena que eu não posso intervir em muita coisa, porque o Supremo decidiu que as medidas restritivas que têm que ser respeitadas são aquelas de prefeitos e governadores. Mas vamos seguir o destino. Vamos respeitar a visão do Supremo Tribunal Federal, porque afinal de contas estamos numa democracia. Além da independência, há harmonia entre os Poderes. Mas eu repito: essas prisões, mais que ilegais, atingem a alma de cada cidadão brasileiro. Não podemos admitir isso. Não vou pregar desobediência civil, mas medidas como essas têm que ser rechaçadas por todos nós – acrescentou Bolsonaro.

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Em outro momento de elogios ao agora ex-ministro, o presidente disse que sua visão era muito boa, “era a da saúde, da vida”. E que na dele entrava também o ministro da Economia, Paulo Guedes, a economia, o emprego. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS) e especialistas, é falso o dilema entre economia e saúde.

– Desde o começo eu tinha uma visão, e ainda tenho, que nós devemos abrir o emprego, porque o efeito colateral do combate ao vírus não pode ser, no meu ponto de vista, mais danoso do que o próprio remédio – comentou.

Na saída da cerimônia, o vice-presidente Hamilton Mourão cumprimentou jornalistas que estavam no local à distância e comentou, dando risada:

– Tudo sob controle… Não sabemos de quem.

O Globo