Em Pedra Branca, professora trans vai à polícia denunciar discriminação sofrida durante aplicação do ENEM

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Um caso de discriminação homofóbica durante a realização da prova do Enem em Pedra Branca, está sendo investigado pela delegacia de policia civil do município.
Tendo como vítima  uma  professora trans bastante conhecida do distrito de Mineirolândia. Antonio Lima, que é do quadro permanente da educação de dois municípios: Pedra Branca, onde ensina em Mineirolândia e no vizinho município de Senador Pompeu,  além de ser professora do ensino superior.
Antonio Lima na companhia de seus dois advogados procurou a delegacia onde registrou um boletim de ocorrência, após segundo ela, sofrer preconceito por parte da equipe técnica responsável pela aplicação da prova do Enem em um dos pontos de realização da prova no ultimo final de semana na sede do município, local onde a professora prestaria a prova.
A mesma relata ter sido chamada a atenção e de ser proibida de usar o banheiro feminino, como sempre faz. Após o episódio e constrangimento, a professora não realizou a prova do Enem.
Propaganda interna redes sociais
Ela disse a nossas reportagem que procurou a polícia, para que outras pessoas não venham a sofrer o que ela passou.
Confira na integra o relado que foi publicado em sua rede social, após procurar a polícia nesta terça (5).
“Esperei primeiro registrar a ocorrência, para só depois me manifestar nas minhas redes sociais, no último domingo dia 3 eu estive na Escola, onde eu prestaria o exame nacional do ensino médio ENEM. Me apresentei antes do horário estabelecido às 13 horas, com a declaração de participante, e o documento exigido pela comissão, que conferiram os meus dados, e logo após eu ter utilizado o banheiro feminino adentrei na sala, logo após o sinal tocar, o chefe de sala começou a circular na sala, verificando os documentos, e ao chegar na minha cadeira disse em alto e bom tom, que se eu sentisse a necessidade de ir ao banheiro, eu não poderia usar o banheiro feminino, eu teria que usar o banheiro masculino, constrangida e ao mesmo tempo humilhada perante todos que estavam na sala, decidi que não faria a prova, mesmo alimentando um sonho de cursar outro ensino superior, mais um sonho destruído, por conta do preconceito e da homofobia, tudo que eu queria era me retirar daquela escola, era esquecer as palavras que eu tinha ouvido do fiscal de sala, me levantei e me retirei da sala, ele me acompanhou lá fora, e levantei diversos questionamentos, Sou professora concursada de dois municípios, utilizo os banheiros feminino nesses estabelecimento que trabalho, quando viajo utilizo os banheiros feminino nos aeroportos, nas repartições sociais, utilizo o banheiro feminino, nos concursos públicos que já prestei, utilizo  o banheiro feminino, nas edições anteriores do Enem, utilizo o banheiro feminino, o chefe de sala me encaminhou Para a coordenadora do Enem, e na sala dela novamente tive que ouvir comentários homofóbicos, como: você tem que usar o banheiro masculino, você não pode utilizar o banheiro feminino, utilizei os mesmos argumentos, mas de nada adiantou, ela fez uma ligação, e na ligação ela se referir a mim, como um rapaz que queria usar o banheiro feminino, nisso eu tentei dizer a ela que eu não sou um rapaz, que eu sou uma mulher trans, mas de nada adiantou, só tinha duas opções,  me submeter a humilhação e o constrangimento de utilizar o banheiro masculino, ou eu não faria o ENEM, eu optei pela segunda, de não fazer o Enem, e não me submeter tamanha agressão psicológica, esqueci os direitos humanos, esqueci o direito à igualdade estabelecida na constituição, e me retirei de lá com o coração partido, mais um sonho destruído por conta do preconceito, por conta de atos homofóbicos, por falta de preparação das pessoas que lá estavam, eu só queria que eles entendesse uma coisa, que eles poderia ter encaminhado uma pessoa para a depressão, mas graças a Deus, eu sou uma pessoa muito bem resolvida, digo isso em todos os sentidos, e aqui eu estou, me dirigi a delegacia de Pedra Branca, acompanhada do meus dois advogados Dr. Renata Silveira e o Dr. Everton Nascimento, onde juntos prestamos a ocorrência, para que a justiça tome as providências cabíveis, para que outras pessoas, assim como eu,  que se enquadra no gênero Mulher Trans, tenha os seus direitos respeitados, para que não seja alvo de preconceito”.
Fonte: Mombaça Online